Tem um sentimento aqui dentro de
mim que não sei decifrar. É como se faltasse algo. Como se eu tivesse perdido
alguma coisa, e que ela está bem distante.
É como se um sonho estivesse
solto ao vento, e eu pudesse vê-lo esvaindo-se no ar. Mas eu não posso ver,
apenas sentir.
Eu não sei de quê se trata. Se
foi um sonho que se foi. Uma pessoa que não conheci. Um lugar que deixar de
morar ou visitar, ou quem sabe uma vida de deixei de viver.
Para isso, a escrita sempre foi
minha melhor amiga. Algumas pessoas descarregam seus medos, dúvidas e tensões em
atividades corpóreas- esportes, corridas, entre outras coisas. Mas meu amparo,
na maioria dos casos, estava sempre na escrita.
Então eu ficava sozinha em meu
quarto com meus cadernos. E os Amores
frustrados, esperanças esgotadas, dor, angústia eram depositados juntos com as
lágrimas em linhas de um caderno.
Mas não pensem que eu tenho um
diário todo bonitinho, com fotos, papeis
de chocolates referendados em cada data.
Está tudo desnorteado, papeis e
letras desordenadamente colocados em uma caixa. Memórias e sentimentos
descritos de forma solta, bem como esse
sentimento que agora sinto: soltos ao vento, longe de mim e dos olhos das
pessoas que dizem gostar de mim. Lançados ao vento sob os olhos de uma menina
assustada, sonhadora, diferente, sedenta
de prazer e realizações e com saudade de algo que não sabe dizer nome, pois
desconhece.
É como se minha felicidade
estivesse escondida ou solta como balões ao vento: sem rumo e distante de mim.
Como um jogo de esconde-esconde. Ou como aquela porção de balões
seguros numa mão de uma criança, que por um susto ou descuido ela deixou
soltar e agora vê eles soltos ao ar, indo para lugares diferentes, que por mais que ela tentasse não saberia para onde eles foram parar.
Engancharam-se numa árvore? Ou
caíram no mar? Explodiram com o calor do sol? Murcharam? Foram picados por pássaros? A criança não sabe. Só lembra com angústia do toque do barbante saindo de suas
pequenas mãozinhas, e sente sobre seus
cabelos o vendo que levou seus balões a qualquer lugar distante. Que ela não
pode vê, apenas imaginar e sentir saudade dos balões que nunca existiram,
apenas foram vistos sob os olhos de sua grandiosa imaginação.
( Juliete Costa)
( Juliete Costa)

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