quinta-feira, 7 de junho de 2012

BALÕES AO VENTO




Tem um sentimento aqui dentro de mim que não sei decifrar. É como se faltasse algo. Como se eu tivesse perdido alguma coisa, e que ela está bem distante.
É como se um sonho estivesse solto ao  vento, e eu pudesse vê-lo esvaindo-se no ar. Mas eu não posso ver, apenas sentir.
Eu não sei de quê se trata. Se foi um sonho que se foi. Uma pessoa que não conheci. Um lugar que deixar de morar ou visitar, ou quem sabe uma vida de deixei de viver.
Para isso, a escrita sempre foi minha melhor amiga. Algumas pessoas descarregam seus medos, dúvidas e tensões em atividades corpóreas- esportes, corridas, entre outras coisas. Mas meu amparo, na maioria dos casos, estava sempre na escrita.
Então eu ficava sozinha em meu quarto com meus  cadernos. E os Amores frustrados, esperanças esgotadas, dor, angústia eram depositados juntos com as lágrimas em linhas de um caderno.
Mas não pensem que eu tenho um diário todo bonitinho, com fotos,  papeis de chocolates referendados em cada data.
Está tudo desnorteado, papeis e letras desordenadamente colocados em uma caixa. Memórias e sentimentos descritos de forma solta,  bem como esse sentimento que agora sinto: soltos ao vento, longe de mim e dos olhos das pessoas que dizem gostar de mim. Lançados ao vento sob os olhos de uma menina assustada, sonhadora,  diferente, sedenta de prazer e realizações e com saudade de algo que não sabe dizer nome, pois desconhece.
É como se minha felicidade estivesse escondida ou solta como balões ao vento: sem rumo e  distante de mim.
Como um jogo de esconde-esconde. Ou  como aquela porção de balões seguros numa mão de uma criança, que por um susto ou descuido ela deixou soltar e agora  vê eles soltos ao ar, indo para lugares diferentes,  que por mais que ela tentasse  não saberia para onde eles foram parar.
Engancharam-se numa árvore? Ou caíram no mar? Explodiram com o calor do sol? Murcharam? Foram picados por pássaros? A criança não sabe.  Só lembra  com angústia do toque do barbante saindo de suas pequenas mãozinhas, e sente  sobre seus cabelos o vendo que levou seus balões a qualquer lugar distante. Que ela não pode vê, apenas imaginar e sentir saudade dos balões que nunca existiram, apenas foram vistos sob os olhos de sua grandiosa imaginação.
 ( Juliete Costa)

Nenhum comentário:

Postar um comentário